Peãozada de Recife dobra patrões e encerra greve
By Administrador On 4 dez, 2015 At 06:00 PM | Categorized As CUT Nacional | With 0 Comments

Era tudo o que os patrões não queriam. Os trabalhadores e trabalhadoras da construção civil da região metropolitana de Recife conseguiram reajuste salarial, impediram que a data-base da categoria fosse alterada, mantiveram o valor das horas extras, derrubaram a tentativa patronal de estender a jornada de trabalho para os sábados e, para contrariar ainda mais, garantiram o pagamento integral dos dias parados.

Isso após 17 dias de greve, que obteve adesão integral nos canteiros de obras da capital pernambucana e cidades vizinhas. A assembleia que decidiu o retorno ao trabalho foi realizada ontem, na sede do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e Pesada (Marreta). Por sinal, a 34ª assembleia realizada durante a greve – todos os dias, havia uma às 7h da manhã e outra ao meio-dia e meia.

Nos 17 dias de greve, informa o sindicato, foram quatro manifestações de rua e 17 rodadas de negociação com o Sinduscon, a entidade patronal. As negociações se mostraram infrutíferas. As construtoras insistiam que não era possível dar reajuste algum em 2015 e ainda queriam trocar a data-base para abril, o que deixaria perdas salariais de 18 meses acumuladas – ano inteiro mais o intervalo entre outubro, mês da data-base, e o pretendido “novo” período de campanha salarial.

Não foi só isso. Segundo a presidenta do Marreta, Dulcilene Morais, as empreiteiras pegaram pesado. Além da já tradicional ajuda da polícia militar e da mídia, os patrões suspenderam o repasse das contribuições sindicais voluntárias aos cofres do sindicato e contrataram seguranças armados para vigiar os canteiros. Telegramas conclamando a volta ao trabalho, sob ameaça de demissão, foram enviados às famílias dos grevistas.

A resistência só fez aumentar e os conflitos nos canteiros começaram a acontecer. Grupos de trabalhadores ocuparam escritórios de construtoras, na tentativa de suspender o corte de pagamento de salários que vigorava até ontem. Até que o Ministério do Trabalho, por intermédio da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego, convocou uma reunião de negociação, marcada para o dia 2. O acordo, com as conquistas pró-trabalhadores, foi então concluído. Nessa, a Justiça do Trabalho nem interferiu.

“Acho que foi uma campanha muito dura, mas que permitiu aos trabalhadores enxergarem o lado mais perverso dos patrões. Só que eles não conseguiram destruir nossa autoestima. Essa foi a maior conquista dessa greve, nem foram as cláusulas econômicas e sociais. A solidariedade das outras entidades sindicais e da CUT foram essenciais. Nossa categoria enxergou o poder que tem”, comenta Dulcilene.

 




Fonte/extraído de: Peãozada de Recife dobra patrões e encerra greve

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