Jornalistas do Paraná fecham piso em R$ 2,9 mil
By Administrador On 7 out, 2015 At 05:00 PM | Categorized As CUT Nacional | With 0 Comments

45 a 42. A divisão dos jornalistas quanto ao encerramento da Campanha Salarial 2015 reflete o momento enfrentado pelos profissionais. De um lado, trabalhadores dispostos a manter a luta e enfrentar o silêncio patronal, em busca de avanços. No outro, a maioria optou por reorganizar as ações para a busca por direitos no próximo ano.

Assim, a Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) será homologada com o reajuste de 8,34%, retroativo a maio, com a renovação de todas as cláusulas existentes hoje. O total de participantes nas assembleias reúne as bases dos dois sindicatos de trabalhadores: Paraná e Norte do Paraná. A decisão final foi tomada apenas após a última votação, em Maringá, na terça-feira (29), e foi apertada.

Na semana anterior, 39 dos jornalistas de Curitiba, Foz do Iguaçu, Ponta Grossa e Cascavel, bases do SindijorPR, haviam decidido pelo encerramento da campanha, frente aos 22 votos pela manutenção da luta. No Norte do Paraná, foram 20 votos pela continuidade da mobilização, seis pela assinatura da CCT e uma abstenção.

Esse resultado mostra uma categoria descontente com a forma como os patrões têm encurralado a categoria, com demissões, pressão, assédio e perdas salariais decorrentes da alta inflação no Paraná, maior do que no restante do país devido aos aumentos de impostos do governo Beto Richa.

Para o diretor-presidente do SindijorPR, Gustavo Henrique Vidal, o resultado apertado aponta a importância da participação dos jornalistas nas ações dos dois sindicatos e nas assembleias. “É o espaço do debate e a decisão é tomada com base nos argumentos de quem participa”, afirma. Gustavo diz ainda que os sindicatos de jornalistas já começarão a planejar novas lutas ainda neste ano. “O foco agora é a antecipação da campanha. A partir desse ano ainda devemos encaminhar mobilizações para cumprir as decisões das assembleias”, explica.

O presidente do Sindicato do Norte do Paraná, Ayoub Hanna Ayoub, reforça que o resultado da votação não significa que a categoria considerou boa a proposta patronal. “Mesmo aqueles que votaram a favor de aceitar o acordo nas assembleias consideraram ruim o percentual da inflação, mas entenderam que era a hora de se reorganizar”, afirma.

Reajuste

Como a homologação no Ministério do Trabalho e Emprego só deve ocorrer em outubro, as empresas devem implantar o novo piso salarial no fim do mês, junto com cinco parcelas do retroativo.

O piso salarial estadual não poderá ser inferior a R$ 2.963,60 (para jornada de 5 horas diárias). Além disso, as empresas de comunicação devem pagar, em parcela única, o retroativo de R$ 1.140,70 (em relação ao piso) referente aos meses de maio a setembro.

Todos os jornalistas devem comunicar aos sindicatos dos trabalhadores caso não recebam alguma das implantações ou se a empresa insistir no parcelamento do retroativo. As empresas são obrigadas, após a homologação da CCT, a pagar esse direito aos jornalistas. Quem não receber deve denunciar para que os sindicatos tomem as medidas necessárias contra o descumprimento da convenção.

Decisões da assembleia intensificam mobilização dos jornalistas

Os jornalistas traçaram como estratégia seguir pressionando os empresários em relação aos itens específicos da pauta. Neste cenário, a categoria vai intensificar a campanha do BASTA com a distribuição de camisetas, materiais e mais mobilizações focando nas ações arbitrárias de demissões e assédio moral.

Junto a isso, a campanha salarial de 2016 será antecipada para fevereiro, com a realização de plenárias locais. A ideia é reunir jornalistas para construir coletivamente as demandas para a Pauta de Reivindicações de 2016.

Com as propostas em mãos, será realizado um Seminário Estadual em março para aprovar a proposta oficial da categoria. Nessa atividade, também será apresentadas e aprovadas todas as ações da campanha salarial, além de programada as mobilizações da categoria.

Acordo só discutido pelo sindicato e aprovado pelos jornalistas

Outro ponto de pauta da Assembleia foram os acordos em separado. Os jornalistas definiram critérios para realização de acordos individuais, que defendam toda a categoria, mesmo que seja com empresas específicas. “O que se definiu é uma posição única de que o Sindicato é contra o rebaixamento da CCT”, explica Gustavo.

Nesse sentido, ficou definido que o acordo só será discutido se a empresa tiver seis ou mais jornalistas. “Não será possível realizar banco com cinco ou menos profissionais já que estes não compensarão as horas, pois como a equipe é reduzida é impossível a compensação. Se isso acontecer, os trabalhadores que ficam serão sobrecarregados, acumulando funções”, reforça.

Todo acordo deve ser negociado com os sindicatos e aprovado por assembleia geral, específica ou não, decretou a assembleia. Ou seja, os acordos podem ser avaliados por todos os jornalistas, já que tal prática incentiva as demais empresas a procurarem os sindicatos para propor acordos específicos. “O prejuízo não é só aos jornalistas da empresa, mas de toda categoria”, afirma Gustavo.

Outro importante apontamento aprovado pelas assembleias é o de condicionar a assinatura de acordos à inclusão de cláusulas que garantam postos de trabalho e que impeçam a exclusividade, colocando esses pontos na campanha salarial e na CCT 2016.

Durante o 13º CECUT, realizado nos dias 26, 27 e 28 de junho, foi aprovada uma moção de apoio aos jornalistas que orienta os sindicatos filiados à CUT para cumprir a Convenção Coletiva de Trabalho dos Jornalistas. 




Fonte/extraído de: Jornalistas do Paraná fecham piso em R$ 2,9 mil

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