A quem interessa a privatização da Comcap?
By Administrador On 29 out, 2015 At 06:00 PM | Categorized As CUT Estadual SC | With 0 Comments

Quanto mais produzimos e consumimos mercadorias, mais lixo se acumula. Em Florianópolis são recolhidos cerca de 16 mil toneladas de lixo por mês. Desde 2002, a população da capital cresceu 28%, mas a geração de resíduos sólidos subiu 66%. Hoje a estimativa é de que cada brasileiro gere, em média, por dia, pouco mais de 1kg de resíduos sólidos.

Esse crescimento acelerado não passou despercebido pelo empresariado brasileiro. No entanto, como na grande maioria dos municípios a coleta de lixo é um serviço público, a única maneira de entrar no negócio é através de terceirização e privatização. Hoje esse mercado já movimenta R$ 22 bilhões ao ano no país.

É neste contexto que se encontra a Comcap. De olho neste fabuloso mercado, empresários do setor utilizam de suas melhores armas para pressionar pela privatização das empresas públicas: e os meios de comunicação e os políticos, que tem suas campanhas financiadas.

Foi isso que aconteceu quando a Angela Amin assume a prefeitura em 1997 com um forte discurso pela privatização, seguindo a tendência do governo FHC. Em janeiro de 1998, a coleta de lixo do sul da ilha foi terceirizada para a empresa SLC/Casvig, atual Orsegups, da família de Dário Berger.

A queda de qualidade do serviço foi sentida imediatamente pela população, que via o lixo se acumular nas ruas.  Os salários eram rebaixados e as condições de trabalho eram mínimas. Foram flagrados garis trabalhando de chinelo e sem luvas, por falta de fornecimento da empresa. E o pior: o custo por tonelada era mais alto na Casvig do que na Comcap.

Com forte mobilização das comunidades do sul da ilha junto dos trabalhadores da Comcap e do Sintrasem, o contrato foi encerrado no início de 2002 e a Comcap retomou o serviço.

Privatizar significa reduzir salários e direitos dos trabalhadores, gerar lucros para empresários e serviços de baixa qualidade, com alto custo, para a população. Os quatro anos de terceirização da coleta do sul da ilha são só um exemplo dos malefícios da privatização para o povo. Na história recente, o caso mais marcante foi a venda da Companhia Vale do Rio Doce, em 1997, no governo FHC, por apenas R$ 3,3 bilhões. No anterior, o lucro da empresa havia sido de R$ 13,4 bilhões.

A grande maioria dos casos de corrupção se inicia antes mesmo da eleição, com a arrecadação de recursos. Quando o político é eleito, a empresa privada espera seu retorno através de licitações ou mesmo privatizações.

A população de Florianópolis já rejeitou a privatização da Comcap uma vez e seguirá rejeitando, ao lado dos trabalhadores da empresa.

Não vamos deixar a Comcap virar negócio! Todos em defesa do serviço público!




Fonte/extraído de: A quem interessa a privatização da Comcap?

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